No século 18, o astrônomo francês Charles Messier mantinha um histórico de anotações de estranhos objetos fixos, difusos, que observava no céu à noite. Intrigado, pensou inicialmente que estes eram cometas ou asteroides próximos. No entanto, outros astrônomos viriam a descobrir que estes objetos eram de fato nebulosas, galáxias ou aglomerados de estrelas. Entre os anos de 1758 e 1782, Messier compilou uma lista de aproximadamente 100 desses objetos.

Sua intenção era garantir que astrônomos não confundissem mais esses objetos com cometas. Mas com o tempo, essa lista – conhecida como “Catálogo Messier” – passou a servir à propósitos maiores. Além de ser uma coleção de alguns dos mais belos objetos do céu noturno, o catálogo também foi um marco importante na descoberta e pesquisa de objetos do espaço profundo. O primeiro item do catálogo é a famosa Nebulosa do Caranguejo – daí a sua designação como ‘Messier Object 1’, ou M1.

DESCRIÇÃO

Artigo-008_secundaria

A supernova que produziu a Nebulosa do Caranguejo foi detectada por observadores a olho nu em todo o mundo no ano de 1054 d.C. Esta imagem foi composta usando dados de grandes observatórios da NASA – Chandra, Hubble e Spitzer.

Messier 1 (ou M1, NGC 1952, Sharpless 244 ou Nebulosa do Caranguejo) é uma remanescente de supernova localizada no Braço de Perseu, na Via Láctea, a cerca de 6500 anos-luz da Terra. Como todas as remanescentes de supernova, é uma nuvem de gás e poeira em constante expansão que foi criada durante a explosão de uma estrela. Este material está espalhado sobre um volume colossal de 13ly de diâmetro e ainda se expandindo a uma velocidade de 1500km/s.

Com base em sua atual taxa de expansão, presume-se que a desaceleração geral da nebulosa diminuiu desde a supernova inicial. Essencialmente, após a explosão ocorrer, os resquícios da estrela inicial deram origem a um pulsar (ou estrela de nêutrons), que começou a emitir radiação em grande quantidade, alimentando o campo magnético da nebulosa, expandindo-a e forçando-a para fora.

Na luz visível, a Nebulosa do Caranguejo consiste de uma massa de filamentos em formato oval – cujas linhas de emissão espectral são divididas entre os componentes vermelho/azul – que rodeiam a região central azul. Os filamentos são restos das camadas exteriores do que um dia foi a atmosfera da estrela e consiste-se principalmente de hidrogênio e hélio, juntamente com traços de carbono, oxigênio, nitrogênio e elementos mais pesados. As temperaturas dos filamentos varia em torno de 11.000 e 18.000 °C.

A região azul, por sua vez, é o resultado da radiação síncrona altamente polarizada que é emitida por elétrons de alta energia em um poderoso campo magnético produzido pela estrela de nêutrons, no centro da nebulosa (ver abaixo). Um dos componentes da Nebulosa do Caranguejo é um toro rico em gás hélio, visível como uma faixa leste-oeste que cruza a região do pulsar.

O toro é responsável por cerca de 25% de todo o material ejetado visível da nebulosa e acredita-se ser constituído por 95% de hélio. Até o momento, não há uma explicação plausível para a estrutura do toro. E, embora seja muito difícil medir a massa total da nebulosa, estimativas oficiais colocam-na um peso de até 05 massas solares (ou 12.7232 × 10^30 kg).

PULSAR DO CARANGUEJO

Sequências de observação de M1, mostrando a expansão de ondas de choque que emanam do Pulsar interagindo com a nebulosa circundante.

Sequências de observação de M1, mostrando a expansão de ondas de choque que emanam do Pulsar interagindo com a nebulosa circundante.

Conhecido como o “Pulsar do Caranguejo” (a estrela de nêutrons que se encontra no centro da nebulosa), é famosa pelas suas rápidas rotações e poderosos pulsos de radiação – que vão desde ondas de rádio à de raios-X – a cada 33 milissegundos. Possui cerca de 28-30km de diâmetro (a Terra, por exemplo, possui mais de 12.700km). Como todos os pulsares isolados, o seu período de rotação está desacelerando muito gradualmente, liberando, com o tempo, enormes quantidades de energia. Para se ter uma ideia, o pulsar é 75.000 vezes mais luminoso que o Sol.

HISTÓRICO DE OBSERVAÇÃO

A primeira informação registrada data de 04 de Julho de 1054 por astrônomos chineses que marcaram a presença de uma nova “estrela” visível à luz do dia por 23 dias e 653 noites. O evento pode também ter sido registrado pelos povos Anasazi, Navajo e Mimbres da América Anglo-saxônica em seus trabalhos e pinturas antigas.

Charles Messier, astrônomo francês, com a idade de 40, por Nicolas Ansiaume.

Charles Messier, astrônomo francês, com a idade de 40, por Nicolas Ansiaume.

Em tempos mais modernos, a nebulosa foi catalogada como uma descoberta do astrônomo amador britânico John Bevis (1731) e independentemente por Charles Messier em 1758 quando este tentava rastrear o cometa Halley. Anos mais tarde Messier reconheceu que Bevis era o real descobridor de Caranguejo.

Em setembro de 1758, Messier teve a ideia de compilar um catálogo de objetos que não fossem cometas, a fim de ajudar outros astrônomos a evitarem erros semelhantes. Nascia o Catálogo Messier.

Se você curtiu o assunto e deseja obter mais informações sobre o nosso Universo, visite a seção “Enciclopédia” ou o “Guia para o Espaço” – com artigos e conceitos diversos que enriquecerão seu vocabulário científico. Aproveite!


Gostou do Acervo? Ajude-nos a crescer! Curta a nossa página no Facebook.

COMPARTILHE O POST COM SEUS AMIGOS! 😉

Comentários

comentários

Sobre o Autor

Gabriel Pietro têm 18 anos, é Web Designer e Redator do Acervo Ciência, escrevendo diariamente para o site. Já bancou uma de técnico de informática, e ainda banca de astrônomo amador, sua maior paixão. Atualmente gradua-se no curso de Gestão da Informação, na Universidade Federal de Uberlândia, que não sabe se é de exatas ou de humanas. Assim como ele. Também é aficionado por cinema, comics, política, economia, tretas e música indie. Bata tudo isso no liquidificador e tente entender sua cabeça.