Ceres é um planeta-anão, o único localizado na porção interior do Sistema Solar; os demais se encontram no Cinturão de Kuiper, na borda exterior, para além de Netuno. Embora seja o menor dos planetas anões conhecidos, é o maior objeto do Cinturão de Asteroides.

Ao contrário de outros corpos rochosos do Cinturão, Ceres é um esferoide oblato, arredondado, com uma saliente protuberância rotacional em torno de seu equador. Também é classificado como um asteroide, justamente pela sua localização no Sistema Solar. Os cientistas pensam que Ceres possa ter um oceano e, possivelmente, uma atmosfera. A recente chegada de uma sonda desvendou alguns segredos do planeta-anão, mas outros permanecem ocultos.

PONTOS BRILHANTES E MONTANHAS SOLITÁRIAS

Planeta-anão Ceres (ou asteroide Ceres, como quiser).

Planeta-anão Ceres (ou asteroide Ceres, como quiser). Clique para ampliar

Em 06 de Março de 2015, a sonda Dawn (Amanhecer, em português), da NASA, tornou-se a primeira sonda a orbitar dois planetoides do Sistema Solar. Depois de visitar o asteroide gigante Vesta, Dawn viajou para Ceres, um mundo gelado que têm atormentado os cientistas há anos. Enquanto a esmagadora maioria dos asteroides são feitos de rocha, Ceres revelou indícios de que pode conter água em sua superfície em 1991, embora esses indícios aguardem confirmações há mais de duas décadas.

Quando a Dawn aproximou-se do asteroide gigante, uma mancha brilhante em sua superfície começou a brilhar intensamente. Depois de observar Ceres por algumas semanas, 130 manchas semelhantes de brilho variável foram encontrados no planeta. Em geral, a superfície de Ceres é tão reflexiva quanto o asfalto recém-derramado, enquanto as manchas variavam do brilho fosco do concreto para à do gelo flutuante dos oceanos árticos da Terra. A região mais brilhante reside na enorme Cratera Occator, que possui 90 quilômetros de largura, local que contém as mais famosas coleções de manchas brilhantes da superfície de Ceres.

As primeiras especulações sobre as manchas incluíam a possibilidade de criovulcões (ou vulcões de gelo) no planeta-anão. No entanto, apenas uma montanha se ergue a partir da superfície. A montanha em forma de pirâmide eleva-se à uma altitude de 21.120 pés (6.437 metros), sem nenhuma evidência que indique atividade vulcânica ou qualquer outra atividade geológica que sugira a intrigante origem das manchas.

Um estudo recente descobriu que as manchas luminosas são feitas de sulfato hidratado de magnésio, o mesmo material que compõe o sal de Epsom na Terra. A maior parte das regiões brilhantes estão associadas com crateras, o que sugere que sua formação pode estar relacionada à impactos. Estes achados amarram diversas teorias anteriores sobre a formação do planeta-anão.

Ceres têm uma densidade de 2,09 gramas por centímetro cúbico, levando os cientistas a concluir que cerca de um quarto de seu peso é água. Isso quer dizer que o planeta-anão possui mais água doce do que a própria Terra. Por comparação, nosso planeta possui uma densidade de 5,52 gramas por centímetro cúbico.

Os cientistas acreditam que a água – que se encontra atualmente congelada – sirva como um manto para Ceres. Pensa-se que sua crosta fina e irregular é composta inteiramente de rochas e que há um núcleo rochoso derretido ativo em seu centro. Observações espectrais da Terra revelaram que a superfície contém argila rica em ferro; evidências de carbonatos têm sido igualmente encontradas, fazendo de Ceres um dos únicos corpos do Sistema Solar conhecidos por conter estes minerais – os outros são a Terra e Marte. Formado por um processo que envolve calor e água, carbonatos são considerados bons indicadores potenciais de habitabilidade.

Em 2014, o Observatório Espacial Herschel da ESA (Agência Espacial Europeia) detectou plumas de vapor de água escapando do planeta-anão à um ritmo de 06 quilos por segundo.

“Esta é a primeira detecção clara de água em Ceres ou em qualquer outro local do Cinturão de Asteroides,” disse Michael Küppers, cientista espanhol da ESA. Küppers conduziu um estudo sobre as plumas que foi publicado na revista Nature.

Acredita-se que Ceres contenha uma fina camada exterior de rochas e poeira sobre uma camada mais espessa de gelo.

Acredita-se que Ceres contenha uma fina camada exterior de rochas e poeira sobre uma camada mais espessa de gelo.

HISTÓRIA & DESCOBERTAS

Astrônomos do final do século 18 previram matematicamente a presença de um planeta entre Marte e Júpiter e, entusiasmados, apontaram seus telescópios para a região em busca do corpo ausente. Em 01 de Janeiro de 1801, o astrônomo siciliano Giuseppe Piazzi descobriu o astro, no qual, considerando-o um planeta, o batizou com o nome de Ceres, deusa romana do milho e das colheitas.

Dentro de uma década, quatros novos objetos foram descobertos na mesma região – e todos eles também considerados planetas. Quase 50 anos se passaram até mais e mais corpos menores serem encontrados espalhados entre Marte e Júpiter – os componentes do recém-denominado Cinturão de Asteroides – e Ceres, por conseguinte, fora rebaixado à condição de asteroide, bem como todos os outros supostos planetas.

Em 2006, Ceres foi ‘promovido’ ao status de planeta-anão graças à uma nova convenção da União Astronômica Internacional do que se era necessário para reconhecer um astro como um planeta (a mesma convenção que rebaixou Plutão), embora muitas vezes ainda seja mencionado por astrônomos como “o asteroide Ceres”.

O maior objeto do Cinturão de Asteroides, Ceres detém quase um terço de toda sua massa. Mesmo assim, é o menor planeta-anão conhecido, com cerca de 950km de diâmetro – um pouco maior (em área) do que o estado de Minas Gerais. Um dia lá equivale à nove horas terrestres, enquanto que leva 4,6 anos terrestres para completar uma volta em torno do Sol.

A proximidade e baixa massa de Ceres levaram alguns cientistas à sugerir que ele possa servir como local potencial para pousos tripulados e um ponto de partida para futuras missões espaciais rumo aos planetas exteriores.

FONTE DE ÁGUA PARA A TERRA?

Sob os modelos de sistemas solares atuais nos quais cientistas estudam, a Terra teria se formado primariamente rochosa. Qualquer resquício de água em sua superfície vaporizou-se quando um grande protoplaneta colidiu contra o nosso planeta para formar a Lua (há mais de quatro bilhões de anos atrás). Durante muito tempo, os cientistas pensavam que os cometas poderiam ‘entregar’ água para a Terra por meio de impactos. No entanto, estudos têm mostrado que esses corpos gelados não contém o melhor tipo ou mesmo a quantidade certa de água para abastecer planetas e sim asteroides, os mesmos que se encontram próximos de Ceres e do Cinturão – ricos em gelo de água.

“Um quarto da massa de Ceres é água, os três restantes são rochas,” revela o cientista Chris Russell, da missão Dawn.

“Se apenas alguns poucos corpos celestes semelhantes à Ceres terem se colidido com a Terra nos primórdios do Sistema Solar, sabemos, de fato, de onde nossa água veio.”

Se você curtiu o assunto e deseja obter mais informações sobre o nosso Universo, visite a seção “Enciclopédia” ou o “Guia para o Espaço” – com artigos e conceitos diversos que enriquecerão seu vocabulário científico. Aproveite!

Fonte: Space


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Sobre o Autor

Gabriel Pietro têm 18 anos, é Web Designer e Redator do Acervo Ciência, escrevendo diariamente para o site. Já bancou uma de técnico de informática, e ainda banca de astrônomo amador, sua maior paixão. Atualmente gradua-se no curso de Gestão da Informação, na Universidade Federal de Uberlândia, que não sabe se é de exatas ou de humanas. Assim como ele. Também é aficionado por cinema, comics, política, economia, tretas e música indie. Bata tudo isso no liquidificador e tente entender sua cabeça.