Não querendo te assustar, mas a Via Láctea está em rota de colisão com a nossa galáxia vizinha, Andrômeda. Relaxe pois ela de fato só deve ocorrer nos próximos bilhões de anos a partir daqui. A colisão têm tudo pra ser bastante catastrófica, com estrelas sendo literalmente jogadas vácuo afora, outras colidindo entre si e algumas sendo engolidas por buracos negros; quem sabe buracos negros colidindo-se uns contra os outros, decididos a canibalizarem-se? Nada melhor do que um jogo de poder entre dois objetos ultrapoderosos. A brutalidade do Cosmos dá espaço à todos: de planetas e satélites à buracos negros supermassivos. Um caos completo.

A estrutura espiral de ambas as galáxias será lentamente destruída (o choque levará centenas de milhões de anos para ser concluído e assimilado devido aos tamanhos colossais dos objetos envolvidos) à medida que elas se tornarem uma única, gigantesca galáxia elíptica (com até um trilhão de estrelas!).

Simulação Oficial da NASA – “Colisão entre a Via Láctea e Andrômeda”

Como os astrônomos sabem que isso vai ocorrer? Eles mediram a direção e velocidade de ambas as galáxias e calcularam todas as variáveis possíveis em supercomputadores de uma possível colisão (ou não). Sim, vai acontecer.

Interessante notar que pra todo lado que os astrônomos olham, eles enxergam colisões de galáxias. Acontece em toda parte. Fantasticamente comum.

Galáxias são mantidas juntas pela gravidade mútua, orbitando um centro gravitacional comum. Imagine abelhas zumbindo em torno de uma colmeia. São as galáxias girando em torno deste centro. Às vezes, elas chegam perto demais umas das outras durante a rotação, rasgando-se entre si com suas respectivas gravidades. Esta interação caótica distorce seus discos e puxa suas caudas, alongando-as; fluxos de estrelas acabam por conectar uma galáxia à outra. Se o rasgo ocorre novamente, uma assimilação definitiva entre elas começa.

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Colisão entre duas galáxias fotografada pelo Hubble. (Clique para ampliar)

Em uma típica colisão entre galáxias, a maior absorve inteiramente a menor, rasgando e separando as estrelas da galáxia menor e adicionando-as à sua coleção. Mas quando as galáxias são de tamanhos semelhantes, como é o caso da Via Láctea e Andrômeda, o segundo impacto destrói a estrutura espiral inteiramente. Os dois grupos de estrelas, eventualmente, tornam-se uma galáxia elíptica gigante, com nenhuma estrutura espiral discernível.

Outra consequência da colisão de galáxias é a formação de estrelas. Quando a colisão acontece, vastas nuvens de hidrogênio de ambas as estruturas entram em colapso. Este gás cria inúmeros bolsões de formações estelares – nebulosas. Logo, galáxias em processo de assimilação de estrelas pós-colisão é muito mais “fértil” quando o assunto é nascimento de estrelas do que qualquer outra. A produção em alta quantidade se deve ao fato de que grande parte do gás e poeira que forma a galáxia seja utilizado na fabricação de novas estrelas – esta produção galopante faz com que estas fiquem sem combustível à longo prazo. As estrelas jovens mais quentes explodem em supernovas e tudo o que resta são as anãs vermelhas mais frias e velhas, com um período útil de vida muito mais longo.

É por isso que as galáxias elípticas gigantes – resultantes de colisões de galáxias – tem tantas estrelas vermelhas antigas e tão pouca formação ativa de novas estrelas. Carecem de berçários estelares. Trata-se de um futuro (e crônico) problema da futura super-galáxia Andrômeda-Via Láctea.

Se você curtiu o assunto e deseja obter mais informações sobre o nosso Universo, visite a seção “Enciclopédia” ou o “Guia para o Espaço” – com artigos e conceitos diversos que enriquecerão seu vocabulário científico. Aproveite!

Fonte: Universe Today


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Sobre o Autor

Gabriel Pietro têm 18 anos, é Web Designer e Redator do Acervo Ciência, escrevendo diariamente para o site. Já bancou uma de técnico de informática, e ainda banca de astrônomo amador, sua maior paixão. Atualmente gradua-se no curso de Gestão da Informação, na Universidade Federal de Uberlândia, que não sabe se é de exatas ou de humanas. Assim como ele. Também é aficionado por cinema, comics, política, economia, tretas e música indie. Bata tudo isso no liquidificador e tente entender sua cabeça.