Há pouco tempo, astrônomos anunciaram a descoberta, de uma vez só, mais de 50 novos planetas extra-solares, sendo 16 destes classificados como “super-Terras”. Até aqui, mais de três mil planetas já foram oficialmente descobertos. Um desses, a super-Terra HD 85512b, animou físicos e astrônomos do mundo todo, uma vez que sua órbita fica na borda da zona habitável de sua estrela-mãe, sugerindo condições favoráveis para o surgimento da vida.

Mas por que a exata posição em que o planeta se encontra é tão importante para o suporte à vida? E, se há vida em HD 85512b, como os astrônomos poderiam confirmar sua existência?

A Zona Habitável

Também conhecida como “Zona Cachinhos Dourados”, a zona habitável é a região do espaço em torno de uma estrela perfeitamente adequada para a água líquida e a vida como a conhecemos existir. Logo, a temperatura nesta zona não é tão quente para a água evaporar, e nem tão fria, para congelar. Esta região é diferente para cada estrela e depende da quantidade de calor e radiação que ela emite. Os astrônomos podem calcular a radiação de uma estrela usando seu tamanho e temperatura, explica Jon Jenkins, que lidera os esforços de análises da missão Kepler, da NASA, um audacioso projeto que visa a caça e confirmação de planetas habitáveis, tais como a Terra, em nossa vizinhança estelar. “São cálculos complicados, mas não tão terríveis quanto dizem,” disse ao portal Life’s Little Mysteries.

Claro, é preciso mais do que apenas estar na zona habitável de uma estrela para tornar-se um planeta “habitável”. Embora os astrônomos não exatamente tenham descartado a possibilidade de planetas gigantes gasosos, como Júpiter, abrigarem vida, eles em geral pensam que planetas habitáveis são terrestres (rochosos) por natureza, com menos de 10 vezes a massa da Terra. Mas um planeta não pode ser pequeno em demasia, nem pouco massivo, pois seria incapaz de segurar gravitacionalmente uma atmosfera. HD 85512b preenche estas condições, bem como possui 3,6 vezes a massa da Terra, um tamanho confortável para um exoplaneta habitável.

Analisando Atmosferas

Artigo-112_segundoUma vez que os astrônomos descobrem um planeta terrestre na zona habitável de uma estrela, o próximo passo é analisar sua atmosfera em busca de sinais de vida. Infelizmente, ler a atmosfera de HD 85512b e outras super-Terras, no momento, não é possível: a tecnologia atual só é capaz de inspecionar atmosferas de grandes planetas gasosos que estão muito próximos à sua estrela.

O instrumento necessário para essa pesquisa está a caminho, com o futuro lançamento do poderoso Telescópio Espacial James Webb, sucessor simbólico do Hubble, a ser lançado em 2018.

Uma vez que nossa tecnologia permitir-nos procurar vida em exoplanetas habitáveis, aqui vão alguns passos de como os astrônomos farão isso:

O primeiro passo para a detecção de biomarcadores na atmosfera de um planeta é comparar qual o espectro de luz de sua estrela-mãe e os diferentes comprimentos de onda da luz que advém dela, isso enquanto o planeta está à sua frente, no chamado ‘trânsito’. Se o planeta em trânsito não possuir uma atmosfera, ele bloqueará a mesma quantidade de luz para todos os comprimentos de onda.

Por outro lado, se um planeta tiver uma atmosfera, os gases que a compõem irão absorver a luz da estrela em comprimentos de onda específicos. Os astrônomos podem assim inferir a partir de certos padrões de absorção dos diferentes tipos de átomos e moléculas, tais como oxigênio e nitrogênio, do que se é composto, de fato, essa atmosfera.

Se os astrônomos analisarem essa atmosfera e, sortudos, encontrarem oxigênio, seria um bom indicador de vida: O oxigênio molecular é volátil, e seria, portanto, constantemente reabastecido por algum processo ativo, a fim de que exista sempre em quantidade significativa na atmosfera. Claro, isso não é uma garantia de que haveria vida no planeta, já que outros processos não-biológicos, tais como o efeito estufa descontrolado de Vênus, podem produzir atmosferas ricas em oxigênio também.

De acordo com Jim Kasting, cientista planetário da Universidade Estadual da Pensilvânia, o grande achado da Astronomia Moderna hoje, muito além de encontrar oxigênio, seria a detecção conjunta em vastas porções de metano (subproduto da vida) e oxigênio numa atmosfera de um exoplaneta habitável. Kasting, que escreveu o livro “Como Encontrar um Planeta Habitável”, pondera que este achado seria o novo santo graal dos astrônomos e explica que o oxigênio e o metano não existem, normalmente, juntos em quantidades elevadas, de modo que a detecção de um grande número de moléculas juntas em uma atmosfera planetária seria um fortíssimo indicador de que o corpo celeste abriga vida.

Assim, enquanto HD 85512b pode, de fato, estar bem posicionado no ranking dos ‘melhores candidatos à nova Terra’, no momento, os cientistas não podem analisar sua atmosfera para obter provas (e responder à pergunta principal).

Por enquanto, a melhor maneira de pesquisar essas novas super-Terras por sinais de vida será ouvi-las com os míticos radiotelescópios do SETI.

Fonte: Caltech, LiveScience

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Sobre o Autor

Gabriel Pietro têm 18 anos, é Web Designer e Redator do Acervo Ciência, escrevendo diariamente para o site. Já bancou uma de técnico de informática, e ainda banca de astrônomo amador, sua maior paixão. Atualmente gradua-se no curso de Gestão da Informação, na Universidade Federal de Uberlândia, que não sabe se é de exatas ou de humanas. Assim como ele. Também é aficionado por cinema, comics, política, economia, tretas e música indie. Bata tudo isso no liquidificador e tente entender sua cabeça.