O céu noturno simplesmente não seria o mesmo sem a Lua. Mas, afinal, de onde nosso simpático e familiar satélite natural veio?

Cientistas e filósofos têm se questionado sobre isso há séculos.

Depois que Copérnico revolucionou o entendimento do Cosmos, nos dando o nosso atual modelo do Sistema Solar, – com a Terra sendo apenas mais um entre os planetas que orbita o Sol, “o centro” – nos possibilitou enxergar a Lua de uma forma diferente.

TEORIAS

A primeira teoria moderna sobre a formação da Lua foi chamada de Teoria da Fissão, idealizada por George Darwin, filho de Charles Darwin.

Ele argumentou que a Lua era a combinação de rochas e detritos derretidos que se desprenderam da Terra devido à sua rápida rotação – quando esta ainda estava em processo de formação; esse material se ‘aglutinou’ lentamente até formar nosso satélite.

Sua teoria durou (e foi intensamente debatida) do século 19 até o início da Era Espacial (anos 60).

Outra ideia muito debatida à época era de que a Terra capturou gravitacionalmente a Lua quando ela já havia sido formada. Normalmente, estes tipos de interações gravitacionais não dão muito certo. Modelos previam que, ou a Lua iria colidir-se com a Terra, ou seria arremessada para fora em uma órbita diferente. Mas seria possível, ainda que improvável, que a atmosfera primitiva terrestre fosse muito maior e espessa, agindo como um freio sob a trajetória orbital lunar, estabilizando-a ao redor da Terra.

Ou… A Terra e a Lua se formaram juntas em suas posições atuais tal como um objeto binário, tendo o nosso planeta abocanhado a maior parte da massa disponível, deixando as sobras para nosso satélite desenvolver-se.

Tênue linha da atmosfera da Terra e a Lua minguante caracterizadas nesta bela imagem capturada pelo astronauta Ron Garan. Crédito: NASA / Ron Garan.

Tênue linha da atmosfera da Terra e a Lua minguante caracterizadas nesta bela imagem capturada pelo astronauta Ron Garan. Crédito: NASA / Ron Garan.

A MAIS ACEITA

A teoria que prevalece atualmente afirma que um objeto (chamado de ‘Theia’) do tamanho de Marte chocou-se contra a Terra, bilhões de anos atrás.

Essa colisão colossal tornou a transformar nosso planeta em uma grande bola fundida de rochas, tal como era no início de sua formação; uma grande parte de matéria foi literalmente arrancada da superfície e ejetada órbita afora devido à força do impacto.

A maioria desse material caiu de volta na Terra. Os ‘entulhos’ remanescentes se fundiram pela força de sua gravidade mútua, lentamente, originando a Lua. No início desse processo de fundição, o material expelido rodeava a Terra, tal como um sistema de anéis – o qual Saturno (e outros planetas) possuem.

Essa teoria foi concebida pela primeira vez em 1946 por Reginald Aldworth Daly, da Universidade de Harvard. Ele desafiou a teoria de Darwin, calculando que apenas o rompimento de um pedaço da Terra não seria suficiente para criar a Lua, nem permitiria que ela estivesse em sua posição atual, sugerindo que, na verdade, houve-se um impacto de um objeto de escala planetária contra a Terra no início de sua formação.

A ideia de Daly foi um tanto ignorada até que em 1974 o Dr. William K. Hartmann e o Dr. Donald R. Davis publicaram um importante artigo para o Jornal Icarus. Eles sugeriram que no início do Sistema Solar havia-se milhares de astros do tamanho de Marte que vagavam em órbitas desordenadas. Aos poucos, estes objetos colidiram-se uns contra os outros, assimilando-se e formando satélites ou mesmo planetas definitivos.

A Hipótese do Grande Impacto, como ficou conhecida, explicou muitos dos problemas enfrentados pela comunidade científica sobre a Formação da Lua, sendo hoje consenso quase universal entre os astrofísicos.

DUAS LUAS?

Uma das grandes questões que a Hipótese do Grande Impacto solucionou foi a do por que a Terra e a Lua terem núcleos tão diferentes. Depois do impacto do planeta com Theia, as camadas exteriores mais leves da Terra foram ejetadas à órbita, fundindo-se, enquanto os elementos mais densos recolhidos de volta.

A teoria também ajuda a explicar como a Lua está em um plano inclinado para a Terra. Se elas tivessem se formado juntas, seriam perfeitamente alinhadas com o Sol, o que não é o caso.

Interessante notar que a Hipótese do Grande Impacto admite a possibilidade do grande impacto de Theia ter gerado não uma, mas duas Luas.

A “segunda” Lua teria sido um objeto menor e bastante instável; eventualmente, se chocou contra o lado ‘esburacado’ do nosso satélite, explicando também porque o lado visível é tão diferente do lado oculto.

Artigo-028_terceiroAlguns astrofísicos ainda hoje tentam achar pistas e coletar novas informações úteis que comprovem que a Hipótese do Grande Impacto seja, em última instância, um fato. Ainda que muito sólida, ainda trata-se de uma teoria. A história ainda não acabou.

Fonte: Universe Today

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Sobre o Autor

Gabriel Pietro têm 18 anos, é Web Designer e Redator do Acervo Ciência, escrevendo diariamente para o site. Já bancou uma de técnico de informática, e ainda banca de astrônomo amador, sua maior paixão. Atualmente gradua-se no curso de Gestão da Informação, na Universidade Federal de Uberlândia, que não sabe se é de exatas ou de humanas. Assim como ele. Também é aficionado por cinema, comics, política, economia, tretas e música indie. Bata tudo isso no liquidificador e tente entender sua cabeça.