Motor da história que conduz lutas explícitas e implícitas, que são exemplificadas no campo ideológico, político e econômico, sendo a força motriz de todas as grandes revoluções. É a luta entre burgueses e proletariados que possibilita as possíveis melhorias nas condições de trabalho.

A história de todas as sociedades que já existiram é a história de luta de classes.
Homem livre e escravo, patrício e plebeu, senhor e servo, chefe de corporação e assalariado; resumindo, opressor e oprimido estiveram em constante oposição um ao outro, mantiveram sem interrupção uma luta por vezes aberta – uma luta que todas as vezes terminou com uma transformação revolucionária ou com a ruína das classes em disputa. (MARX; ENGELS, 2009, p.9-10)

Primeiramente, é necessário entender que para Marx, a propriedade privada tornou os homens estúpidos e parciais, ao ponto de que só se considera um objeto como seu se o utiliza de alguma forma, o que resume todos os sentidos físicos e intelectuais ao sentido de posse.

Desse modo, critica-se a irracionalidade: a lucratividade, o desemprego e as crises de superprodução do capitalismo. O capitalismo surge quando tudo se torna mercadoria, com a relação entre uma classe (a burguesia), ao se tornar a proprietária exclusiva dos meios de produção, e de outra classe (o proletariado), ao não ter como produzir o necessário para sobreviver, sendo obrigada a vender no mercado sua força de trabalho.

O operário, ao nada possuir, é obrigado a sobreviver da venda de sua força, que é considerada uma mercadoria, algo útil, podendo ser comprada ou vendida. Dessa forma, surge um contrato entre capitalista e operário, no qual compra-se ou “aluga-se por um certo tempo” a força de trabalho e, em troca paga-se ao operário uma quantia em dinheiro, o salário. O capitalismo transforma todos em meros assalariados.

A burguesia desnudou de sua auréola toda ocupação até agora honrada e admirada com respeito reverente. Converteu o médico, o advogado, o padre, o poeta e o cientista em seus operários assalariados. Ela arrancou da família o seu véu sentimental e reduziu a relação familiar a uma mera relação de dinheiro. (MARX; ENGELS, 2009, p.13-14)

Nessa perspectiva, a irracionalidade do capitalismo consiste na falta do bom senso e prudência, no qual inexiste a liberdade, a igualdade e a fraternidade, em que privilegia-se a classe dominante, rompendo com a “justa medida” prevista por Aristóteles. Visa o lucro e revela que a produção não tem o objetivo de suprir as necessidades sociais, o que é egocêntrico, porque a desigual distribuição de renda (setorial, regional e pessoal) traz como consequência a fome, a miséria e a morte.

Em sua essência sempre estará presente o desemprego, porque este aumenta o lucro da burguesia e ameaça o trabalhador, o que possibilita a exploração, a “mais valia”, que é o tempo de trabalho gasto para a produção de uma mercadoria que não será revertida ao trabalhador. O que é efetivamente “a galinha dos ovos de ouro” para os lucros do capitalista.

Outro fator amplamente contraditório e irracional, presente no capitalismo, são as crises de superprodução, ocasionados pelo lucro, pela desorganização da produção e pela produção em larga escala. Fatos que levam indivíduos a queimarem sacas de café em prol de aumentar o lucro, o que aconteceu no Brasil em decorrência da crise de 1929, omitindo a fome e a necessidade da população.

Assim, a burguesia impõe uma ideologia de vida da classe dominante à sociedade, como pode ser exemplificado pelo trecho a seguir:

A burguesia subjugou o país às leis das cidades. Criou cidades enormes; aumentou em grande escala a população urbana, se comparada à rural e, assim, resgatou uma considerável parte da população da idiotia da vida rural. Do mesmo modo como tornou o país dependente das cidades, tornou países bárbaros e semibárbaros dependentes dos países civilizados, nações de camponeses dependentes de nações burguesas, o Oriente dependente do Ocidente. (MARX; ENGELS, 2009, p.16)

Estabelece-se uma integração entre os países e as pessoas do mundo, no qual são compartilhadas culturas, transações financeiras e comerciais, etc. o que possibilita a formação de uma aldeia global, a denominada “globalização”. Essa interligação através dos fluxos, assessorada pela tecnologia, cria uma rede alienante, que leva os indivíduos a se submeterem cegamente ao consumismo.

Para a construção de um avião, de um carro, de um computador ou até mesmo de um celular, necessita-se de peças originadas nos mais diversos países. A busca pela lucratividade e mão de obra barata, faz com que multinacionais migrem para as economias emergentes, deixando apenas o núcleo administrativo no país de origem. O que impulsiona a terceirização e a precarização das relações de trabalho no mundo.

Quanto menos habilidade e força física venha requerer o trabalho manual, isto é, quanto mais desenvolve a indústria, tanto mais o trabalho dos homens é substituído pelo das mulheres. Diferenças de idade e de sexo não têm mais validade distintiva social para a classe trabalhadora. São todos instrumentos de trabalho, mais ou menos caros, para serem usados de acordo com sua idade e sexo. (MARX; ENGELS, 2009, p.21)

Os Homens são reduzidos a instrumentos, que serão utilizados de acordo com a necessidade da empresa. Aceitam condições insalubres para poderem sobreviver, pois, sendo objetos, são facilmente substituídos, o que causa medo e desespero, e possibilita que a burguesia explore constantemente, por meio da mais valia, o que faz com que os salários não acompanhem a produção.

Outra consequência do ideal capitalista é a criminalidade e a violência, como pode ser visto no filme “Cidade de Deus”, baseado em fatos reais. O filme retrata a realidade de pessoas que ingressam no mundo do crime, por não terem amparo que garanta a “cidadania” e a “dignidade da pessoa humana”, que são os direitos do que é essencial/necessário para a sobrevivência do indivíduo.

Desse modo, percebe-se que o sentido de família passa a ser a busca pela lucratividade, ao invés de uma relação de amparo e valores, como pode ser exemplificado no trecho a seguir:

Abolição da família! Até o mais radical inflama-se em frente desta proposta infame dos comunistas. Sobre qual fundação está baseada a família atual, a família burguesa? No capital, no lucro privado. Na sua forma completamente desenvolvida, esta família existe somente entre os burgueses. Mas este estágio de coisas encontra o seu complemento na ausência prática da família entre os proletários e na prostituição pública. A família burguesa irá desaparecer naturalmente quando o seu complemento acabar e ambos desaparecerão com o fim do capital. (MARX; ENGELS, 2009, p.38)

Famílias amedrontadas pela fome submetem suas filhas à prostituição. Crianças têm seu corpo invadido pela hipocrisia social, perdem a inocência, a pureza infantil para poderem sobreviver e garantir que suas famílias não morram de fome. Vivem uma guerra diária, que em qualquer momento pode dissipar suas vidas, pois, estão sujeitas tanto à violência, gravidez precoce, overdose de drogas e doenças sexualmente transmissíveis.

O casamento é transformado em um contrato de interesses, em que as partes se comprometem com o objetivo de aumentar as posses e posições sociais. Os Homens são hipócritas, durante o dia, eticamente abominam, durante a noite, moralmente se deliciam.

Não se contentam nem com a família que possuem, pois, reduzem não só a força de trabalho a objetos, mas também a sua própria existência, o que faz com tenham a visão de que os indivíduos também são descartáveis.

Assim, segundo o Marxismo, a solução para uma melhoria nas condições de trabalho e para consequências do capitalismo, é a Luta de Classes, que promove greves, invasão de fábricas e organização de sindicados em consequência da miséria e exploração, impulsionando revoltas e resultando à revolução.

Referência Bibliográfica: MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. O manifesto comunista. São Paulo: Paz e Terra, 2009.

Polêmico? Pra sempre.

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Sobre o Autor

Milena Santos é Redatora do Acervo Ciência e técnica em Música pelo Conservatório Estadual de Música Cora Pavan Capparelli. Atualmente gradua-se no curso de Direito, na Universidade de Uberaba. Ah, e se qualifica como uma eterna aprendiz.