Uma estimativa aproximada com base em registros geológicos indicam que há uma chance de 1 em 10.000 de uma “supererupção” ocorrer em Yellowstone enquanto estivermos vivos (melhor: até o fim deste século). No entanto, dada a natureza errática dos vulcões, esse número não significa muito. As tampas que escondem as enormes fendas magmáticas superfície abaixo podem explodir novamente à qualquer momento, de forma totalmente aleatória. A “queima de fogos” pode ocorrer num sábado ou domingo quaisquer, talvez até agora. Os cientistas simplesmente não sabem.

Mas e se acontecer? Seria o fim de todos nós ou apenas um grande golpe para a indústria turística da cidade de Wyoming (cidade que abriga o Parque de Yellowstone e seu supervulcão)?

Cada uma das três supererupções anteriores de Yellowstone vomitaram mais de mil quilômetros cúbicos de magma superfície afora – o valor de referência de um “supervulcão”. De acordo com Jacob Lowenstern, cientista no Observatório de Vulcões de Yellowstone, uma erupção tal como as anteriores seria suficiente para cobrir toda a América do Norte com nuvens de cinzas e poeira tóxica.

As cinzas vulcânicas são grossas, de modo que, caso se concentrassem numa área, poderiam formar um ‘tapete’ com até 30cm de espessura cobrindo o céu. Jacob no entanto acredita que à medida que distanciasse-se do supervulcão, o tapete tóxico afinaria até atingir uma espessura de meros um milímetro à 3500km da fonte de cinzas. “É justo dizer que as cinzas espalhadas afetariam absolutamente à todos os habitantes da América do Norte, mas de fato o problema seria muito, muito mais grave nos estados que entornam Yellowstone,” disse em entrevista ao LiveScience.

Com aviso suficiente, os estados próximos poderiam ser evacuados, o que em grande parte evitaria uma tremenda perda de vidas causada pela chuva de cinzas. Mas isso apenas à curto prazo. Durante vários dias, a cinza perduraria no ar, o que o tornaria muito difícil de se respirar (quase impossível, na verdade). Com todo o continente norte-americano coberto de cinzas, não tardaria muito para a vegetação local sufocar e o abastecimento de água se contaminar, rapidamente levando a população à uma crise alimentar de nível internacional. “Muitas pessoas morreriam,” diz Stephen Self, diretor do Volcano Dynamics Group da Open University (Reino Unido). Ele prevê inúmeros refugiados americanos/canadenses alinhando-se na fronteira mexicana (irônico, não?).

PossivelmenArtigo-023_segundote governos estrangeiros ofereciam ajuda aos países afetados (EUA, Canadá, México) e todos embarcariam em uma grande operação de limpeza das cinzas tóxicas; “sem tal esforço, espere que condições inóspitas persistam no lado oeste da América do Norte por até uma década… ou mais,” diz Self. “Os registros mostram que [uma]nova vegetação voltaria a se desenvolver naquela região depois de duas décadas após a supererupção. Ela dependerá de quantidade de precipitação que a área vai receber – a contar também que a chuva é a principal maneira de limpar as partículas no ar e na terra,” concluiu.

Quanto ao resto do mundo, teríamos de enfrentar alguns anos de mudanças no clima – que ficaria mais ameno – causada pela nuvem de cinzas que, misturada à atmosfera global, alteraria sua composição química por uma década. Se a supererupção provar seu título de “super”, o planeta inteiro até poderia ser embrulhado em sombras por alguns dias.

No entanto, uma pesquisa recente mostrou que os impactos globais de supervulcões são menos graves climaticamente do que os cientistas pensavam. Por exemplo, no caso de Yellowstone, seu magma contém baixas quantidades de enxofre, gás responsável pela produção de partículas chamadas aerossóis, que podem esfriar o clima, bloqueando a luz solar.

“O enorme volume de magma injetará vastas quantidades de enxofre, que, por conseguinte, produzirá bastante aerossol, o suficiente para instabilizar o complexo clima da Terra. Há um limite de produção da partícula, mas definitivamente veremos uma baixa na temperatura terrestre.”

Com base em novos modelos, os cientistas acreditam que a grande maioria das espécies da Terra (incluindo nós) resistiriam bem à uma supererupção de Yellowstone (exceto, é claro, para aqueles que estavam próximos demais da explosão inicial). Eles não veem nenhuma evidência no registro geológico de extinções em massa coincidindo com supererupções, e não preveem extinções resultadas de tais eventos geológicos no futuro.

A última vez que Yellowstone entrou em erupção, extinções de espécies não aconteceram,” diz Michael Rampino, biólogo e geológico da Universidade de Nova York. “Supererupções não são eventos que causam a extinção de espécies, mas claro que elas podem, obviamente, causar catastróficos problemas para a civilização humana e habitats naturais.”

A última explosão em larga escala de Yellowstone ocorreu há 640 mil anos atrás e as anteriores, há 1,3 milhão e 2,1 milhões de anos atrás – cada qual menor em escala [de destruição]do que o anterior, isto é, a cada nova erupção, o supervulcão se enfraquece. O próximo pode acontecer em breve, porém ainda menor. Ou não.

Fonte: LiveScience

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Sobre o Autor

Gabriel Pietro têm 18 anos, é Web Designer e Redator do Acervo Ciência, escrevendo diariamente para o site. Já bancou uma de técnico de informática, e ainda banca de astrônomo amador, sua maior paixão. Atualmente gradua-se no curso de Gestão da Informação, na Universidade Federal de Uberlândia, que não sabe se é de exatas ou de humanas. Assim como ele. Também é aficionado por cinema, comics, política, economia, tretas e música indie. Bata tudo isso no liquidificador e tente entender sua cabeça.