Existem dezenas e mais dezenas de luas no Sistema Solar, que vão desde mundos sem qualquer atmosfera (isto é, nada de ar) como a Lua da Terra à exóticos satélites cobertos por metano como Titã, lua saturniana. Júpiter e Saturno têm muitas luas cada e até mesmo Marte possui um par de pequenos asteroides-lua (Phobos e Deimos). Mas o que dizer de Vênus, o planeta que por um tempo os astrônomos imaginavam ser o irmão gêmeo da Terra?

A resposta é: nada de luas. É isso mesmo, Vênus – e Mercúrio – são os dois únicos planetas que não têm um único satélite natural a orbitá-los. Vamos descobrir porque essa pergunta vêm mantendo diversos astrônomos bastante ocupados no decorrer de estudos sobre o planeta-estufa e o Sistema Solar como um todo.

Os estudiosos dos campos da Astrofísica e da Cosmologia têm três explicações sobre como os planetas obtêm suas luas:

P.S.: lua = satélite natural / Lua (satélite da Terra) ≠ lua (termo genérico para se referir à outros satélites naturais de outros planetas)

  1. Talvez o astro em questão tenha ‘passeado’ próximo demais de um planeta maior e gravitacionalmente mais forte – tendo sido capturado por sua gravidade, tornando-se seu satélite. Ex.: Phobos e Deimos (asteroides-lua de Marte);
  2. Quem sabe um objeto enorme, de escala planetária, tenha se colidido com um outro planeta maior ainda e esse impacto colossal tenha liberado vastas quantidades de matéria órbita afora, lentamente aglutinando-se pela força da gravidade e tornando-se um único objeto sólido, grande, mas não o suficiente para se tornar “algo mais” além de um satélite. Ex.: [a história por trás da formação da]Lua e a Terra.
  3. Ou algumas luas tenham se surgido a partir de um disco de acreção independente de matéria, tal como os planetas se reuniram. Ex.: especula-se que Tritão, lua de Netuno, tenha se originado de forma autônoma, tal como um planeta.
Europa, lua de Júpiter.

Europa, lua de Júpiter.

SERÁ QUE…?

Considerando a quantidade de coisas que ‘voam’ por aí ao redor do Sistema Solar desde o início da sua história, é bastante surpreendente para alguns astrônomos que Vênus não tenha uma lua pra chamar de sua atualmente. No entanto, é possível que tivesse num passado distante. Em 2006, pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Califórnia, Alex Alemi e David Stevenson apresentou à Divisão de Ciências Planetárias um estudo que afirma que o planeta Vênus fora atingido por grandes asteroides ao menos duas vezes desde o início de seu processo de formação (Você pode ler o resumo clicando aqui).

“Muito provavelmente, tal como aconteceu com a Terra, Vênus foi atingido por uma massa de rochas que liberou grandes detritos de sua superfície, originando um ou mais satélites próprios após a colisão. No entanto, devido às chamadas interações de maré, esse(s) satélite(s) podem ter sido expulsos de suas órbitas pouco depois de se desenvolverem… ou mesmo tenham tido um destino oposto, colidindo-se contra o planeta.” – escreveu o portal Sky and Telescope sobre a pesquisa.

“Isso pode ter ocorrido após uma nova colisão ter chacoalhado Vênus cerca de apenas 10 milhões de anos depois do primeiro impacto. Ele sofreu outro golpe tremendo, de acordo com os modelos. O segundo impacto ocorreu no ponto oposto ao primeiro, na medida em que, literalmente, inverteu a rotação do planeta. O novo sentido de rotação de Vênus fez com que sua força gravitacional absorvesse a energia orbital de seu satélite através das interações de marés. Assim, a órbita em espiral de sua lua adentrou às regiões internas de Vênus, em mais um encontro dramático, fatal.”

Artigo-029_terceiraAlguns discordam e especulam que o contrário tenha ocorrido: ao invés de sugar seu recém-nascido satélite, o planeta tenha o expulsado gradativamente, bem como nossa Terra faz com a Lua (ela afasta-se de nós à uma velocidade de 3,8cm ao ano).

Vênus fotografada pela espaçonave Pioneer em 1978. Alguns exoplanetas podem sofrer o mesmo destino deste mundo infernal.

 

Fontes: Universe Today, Harvard University, Sky and Telescope, NASA, ESA

Gostou do Acervo? Ajude-nos a crescer! Curta a nossa página no Facebook. De quebra você concorrerá, toda semana, à um par de ingressos para o cinema. Não satisfeito? Final do ano têm sorteio de um telescópio amador!

COMPARTILHE O POST COM SEUS AMIGOS! 😉

Comentários

comentários

Sobre o Autor

Gabriel Pietro têm 18 anos, é Web Designer e Redator do Acervo Ciência, escrevendo diariamente para o site. Já bancou uma de técnico de informática, e ainda banca de astrônomo amador, sua maior paixão. Atualmente gradua-se no curso de Gestão da Informação, na Universidade Federal de Uberlândia, que não sabe se é de exatas ou de humanas. Assim como ele. Também é aficionado por cinema, comics, política, economia, tretas e música indie. Bata tudo isso no liquidificador e tente entender sua cabeça.