“Um dia você será muito, muito mais inteligente do que é hoje.” A partir dessa afirmação diversos neurocientistas mundo afora debruçam-se em pesquisas e estudos das mais variadas áreas do sistema nervoso central para compreender como nosso cérebro trabalha, desenvolve e se aprimora conforme o passar do tempo.

Eles descobriram que os cérebros de pessoas com QI elevado tendem a ser altamente integrados, com vastas redes neurais conectando regiões cerebrais distantes. Enquanto isso, cérebros de pessoas menos inteligentes constroem redes mais simples, curtas. Até aqui, ninguém sabe ao certo por que alguns cérebros são capazes de estabelecer conexões maiores e mais complexas, em vista de outros.

“Quando os mecanismos cerebrais que fundamentam o conceito de inteligência forem integralmente compreendidos, teoricamente será possível manipulá-los de forma à aumentar o QI potencial de uma pessoa,” diz Richard Haier, neurocientista e professor emérito da Universidade da Califórnia, que estuda Inteligência. Pela primeira vez na história da humanidade, ele diz, “nossas habilidades mentais, nossa capacidade de processamento de informações e nossa inteligência conjunta poderão ser aumentadas artificialmente – não só é possível, mas plausível”.

É uma ideia excitante, mas, considerando-se o aforismo “ignorância é felicidade”, alguém logo questionaria: realmente seria melhor, para todos nós, sermos tão inteligentes? Como nossas vidas e nossa sociedade seriam se todos nós nos tornássemos, digamos, duas vezes mais inteligentes do que já somos hoje?

Para simplificar, imagine que, em vez de nossa atual média de pontuação de QI ser 100, fosse 200 (especialistas dizem que essa “duplicação” não vale na vida real pois a escala QI não começa em zero e, além disso, o teste não foi concebido para produzir pontuações tão altas quanto 200 – mas vamos pôr de lado essas qualificações para fins de argumentação). De acordo com Earl Hunt, professor de psicologia da Universidade de Washington, cerca de uma em cada 10 bilhões de pessoas detém um QI acima de 200. Com uma população mundial na casa dos 7 bilhões hoje, pode ou não haver uma pessoa, ainda viva, que possua tamanha excepcionalidade. Claro, se houver, sua identidade é totalmente desconhecida.

AUTOREALIZAÇÃO

Haier acredita que uma maior inteligência – que ele define como a capacidade de aprender mais rápido e de lembrar mais – seriam altamente vantajosos em escala individual. “Vivenciar um mundo com um QI mais alto pode ser bastante interessante para a maioria das pessoas. Elas lerão mais, terão uma maior profundidade de apreciação para certas coisas e muito mais discernimento na vida,” disse ele no livro Pequenos Mistérios da Vida.

Além disso, QIs de 200 nos permitiria exercemos atividades e carreiras que mais nos interessam, não apenas àquilo que achamos que somos capazes de fazer, diz Haier. Poderíamos dominar novos idiomas ou aprendermos como fazer neurocirurgias em questão de algumas semanas.

Seres humanos mais inteligentes também seriam mais saudáveis e longânimes, pois possuiriam uma melhor noção comportamental e alimentícia. “Manter um estilo de vida saudável ou administrar uma doença crônica, como diabetes, pode ser cognitivamente bastante desafiador. Este é o tipo de desafio que pessoas inteligentes topam encarar… por definição”, complementa.

HABILIDADES SOCIAIS

Cientistas argumentam que a Sociedade como um todo não iria se beneficiar tanto quanto os indivíduos com o aumento em massa de inteligência. Embora as pessoas gostem de culpar a ignorância ou a estupidez humana como os reais problemas sociais que enfrentamos, a remoção desses fatores não levaria ao surgimento de uma utopia harmoniosa. A inteligência não anda de mãos dadas com a capacidade de cooperação.

“A inteligência é independente da personalidade e emoção, e assim você pode ter pessoas muito inteligentes que sejam apenas uma espécie de loucos e/ou lunáticos”, diz Haier. “Mesmo que todos possuam um QI de 200, você terá a mesma gama exótica de personalidades que temos atualmente no planeta – e como isso é um fator determinante para quão boa sua sociedade é, não necessariamente teremos uma melhor.” Considere Isaac Newton, gênio inegável que, à época, era considerado um misantropo notório.

Enquanto a taxa de criminalidade cairia substancialmente em uma sociedade de Newtons, Hunt especula que crimes de colarinho branco, de fraudes bancárias à acobertamento de pesquisas questionáveis feitas pela indústria farmacêutica poderiam crescer muito, se sofisticarem. “Ora, os vilões, isto é, as grandes e maléficas corporações seriam ainda mais inteligentes do que nunca. Por outro lado, contaríamos com agentes públicos e um Judiciário igualmente melhorados. Seria um embate de titãs.”

Apesar destas questões inquietantes, há uma boa chance de que os “super cérebros” nos ajude a inventar novas tecnologias, que nos ajudem a resolver alguns de nossos maiores problemas. Haier explica que, uma equipe de 100 engenheiros de QI ‘normal’ não seriam páreo para uma outra equipe de 10 engenheiros com o QI dobrado (o potencial mental dessa pequena equipe seria muito maior). Imagine só do que seríamos capazes com 07 bilhões de [possíveis] gênios na Terra? Provavelmente nossos esforços resultariam em soluções para alguns dos problemas mais intratáveis, insolúveis da atualidade. Poderíamos descobrir uma maneira hiper-eficiente para dessalinizar a água do mar ou encontrar uma fonte de energia alternativa ilimitada e/ou ultra-renovável. Quem sabe desvendar os maiores mistérios da Física e da Matemática?

Como esses avanços produziriam uma maior abundância de recursos, eles provavelmente minimizariam conflitos sociais – apesar de que alguns seres humanos serem desagradáveis desde sempre.

PERDA DA FÉ

De acordo com Hunt, há evidências que sugerem que muitos seres humanos, se significantemente mais inteligentes, tenderiam a perder sua capacidade de crença em Deus. “Há uma pequena tendência observada em pessoas mais inteligentes à agirem e se comportarem de forma mais liberal em suas atitudes sociais e menos propensas à aceitar dogmas religiosos. Trata-se da escolha entre raciocínio lógico e exercício da fé. Se o raciocínio lógico prevalecesse haveria uma sutil mudança (pendendo para o lado do ceticismo e da experimentação) na forma como fundamentamos nossas explicações à respeito de como subentendemos o todo.

Claro, algumas pessoas continuariam a aceitar teorias cosmológicas baseadas na fé, como se observa vários exemplos ao longo da História – pessoas altamente inteligentes, mas também religiosas – ainda que em menor número, observa Hunt.

MAIS INTELIGENTE? MAIS BONITO.

Confundindo o velho estereótipo do nerd franzino e antissocial com suspensórios e óculos de lentes ‘fundo de garrafa”, Hunt mencionou uma outra interessante alteração (visual e social) que poderia vir a ocorrer se todos nós tornássemos mais inteligentes. “Seríamos mais bonitos!”, escreveu. Um estudo da Universidade de Harvard encontrou uma estranha correlação entre como grupos de pessoas com QI elevado constroem seus respectivos padrões de beleza e quão fisicamente atraídos eles ficam entre si. O resultado final pondera que o padrão de beleza da humanidade, como um todo, tornar-se-ia mais amplo, expansível; o tom liberal dessas pessoas abririam novas possibilidades do que é belo e do que não é.

Uma última reflexão: Mesmo que os cientistas finalmente descubram como se aproveitar do mecanismo de aceleração/aumento da inteligência, é altamente improvável que todos possam vir a ter à oportunidade de fazer um “upgrade” no cérebro. Os abastados certamente se beneficiarão desta pesquisa, em contraste com os menos favorecidos, que ficarão de fora da empreitada. E, óbvio, isto nos instiga a iniciar uma nova linha de investigação social. Como Hunt acrescenta: “Suponha que em uma sociedade do futuro, uma parte da população, digamos 10%, tornaram-se altamente inteligentes, enquanto o restante da população permaneceu onde estamos agora ou até mesmo apresentou retrocessos. O que seria de nós? O que seria da Sociedade como na qual a conhecemos hoje?

Fonte: LiveScience


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Sobre o Autor

Gabriel Pietro têm 18 anos, é Web Designer e Redator do Acervo Ciência, escrevendo diariamente para o site. Já bancou uma de técnico de informática, e ainda banca de astrônomo amador, sua maior paixão. Atualmente gradua-se no curso de Gestão da Informação, na Universidade Federal de Uberlândia, que não sabe se é de exatas ou de humanas. Assim como ele. Também é aficionado por cinema, comics, política, economia, tretas e música indie. Bata tudo isso no liquidificador e tente entender sua cabeça.