Em termos de evolução, a espécie Homo Sapiens é extremamente bem sucedida. As populações de outras espécies que se posicionam semelhantemente à nós na cadeia alimentar tendem a atingir um número máximo de 20 milhões de indivíduos. Nós, no entanto, levamos apenas 120 mil anos para atingir nosso primeiro bilhão de membros para logo em seguida adicionar mais seis bilhões à conta nos 206 anos seguintes.

De acordo com a Divisão de Populações das Nações Unidas, a nossa população atingirá a marca de 8 bilhões de indivíduos em 2028 e, embora as taxas de fecundidade tenham apresentado declínio em grande parte do mundo, projeta-se que atingiremos 9 bilhões até 2050 e em torno de 10 bilhões em 2100, quando a população finalmente se estabilizará.

Um grupo de acadêmicos reuniram-se no Instituto Earth da Universidade de Columbia recentemente para discutirem os impactos da explosão demográfica da nossa espécie, discutindo as mudanças a que Terra passará neste século e diante. Aqui vão 05 mudanças marcantes que você – ou seus filhos, ou netos – podem esperar pra ver.

Variação percentual anual de crescimento (ou declínio) da população mundial (separados por país) com bases nos dados da CIA World Factbook.

Variação percentual anual de crescimento (ou declínio) da população mundial (separados por país) com bases nos dados da CIA World Factbook. (clique para ampliar)

POPULAÇÃO & IMIGRAÇÃO

Atualmente, é um fato bem conhecido que a China é o país mais populoso do mundo e que a África, embora repleta de problemas, não é necessariamente superpovoada a julgar pelo seu tamanho. Isto irá mudar drasticamente. A política do filho único da China conteve significativamente seu crescimento populacional, enquanto que em alguns países africanos, a média de nascimentos chega à 07 crianças por mulher.

De acordo com Joel Cohen, biólogo na Universidade de Columbia, a população da Índia ultrapassará a da China por volta de 2020 e a da África Subsaariana ultrapassará a da Índia em 2040. Ademais, complementa:

Em 1950, haviam três vezes mais europeus do que africanos subsaarianos. Em 2100, haverá cinco africanos subsaarianos para cada europeu. Isso representa um aumento proporcional em 15 vezes. Você pode imaginar o impacto geopolítico e migratório que isso gerará? Uma grande mudança está a caminho.”

Cairo, Egito.

Cairo, Egito.

Jean-Marie Guehenno, ex-Subsecretário Geral da ONU para as Operações de Manutenção de Paz e diretor do Centro para a Resolução de Conflitos Internacionais (Universidade de Columbia) disse que a migração de pessoas da África para a Europa irá representar um grande desafio num futuro próximo. “Você pode olhar para esse impasse e enxergar um enorme potencial do ponto de vista europeu… ou pode dizer, ‘a África é um continente ainda muito empobrecido, onde 1 em cada 5 jovens não frequentam a escola, e isso pode ser visto como uma ameaça”, disse Guehenno. “Como você vai gerir o tráfego imigratório de modo que o Velho Continente e o Continente Africano se beneficiem mutuamente? Essa é a grande questão.”

URBANIZAÇÃO

Em termos globais, o número de pessoas que vivem em áreas urbanas pela primeira vez na história da humanidade ultrapassou o número de pessoas que vivem em áreas rurais em algum momento dos últimos três anos. A tendência é que permaneça assim. De acordo com Cohen, o número de pessoas que vivem em cidades vai subir dos atuais 3,6 bilhões para 6,3 bilhões em 2050. Esta taxa de urbanização é equivalente à “construção de uma cidade com um milhão de habitantes a cada cinco dias daqui em diante pelos próximos quarenta anos,” disse.

Fotos de satélite do Mar Aral na Ásia tomadas em 1989 (à esquerda) e 2008 (direita). Anteriormente uma das quatro maiores lagos do mundo, com uma área de 68.000 quilômetros quadrados (26.300 sq mi), o Mar de Aral tem vindo a diminuir desde 1960, após os rios que alimentavam foram desviados para uso em irrigação.

Fotos de satélite do Mar Aral na Ásia tomadas em 1989 (à esquerda) e 2008 (direita). No passado foi um dos quatro maiores lagos do mundo, com uma área de 68.000 quilômetros quadrados (26.300 sq mi). Hoje, o Mar de Aral vêm diminuindo desde 1960, após os rios que o alimentavam serem desviados para uso na irrigação.

Claro, novas cidades não tendem a ser construídas; em vez disso, as já existentes inflam em tamanho e população; Guehenno argumenta que megacidades têm se tornado caóticas. “A urbanização vai mudar o conceito do que são conflitos em grande estilo. Quando você vive em pequenas cidades ou áreas rurais, existem diversos mecanismos tradicionais utilizados na resolução de conflitos. Nem todos eles são bons, mas em conjunto, criam uma espécie de equilíbrio, algo estável,” ele diz. “Com as megacidades que vemos agora na África, por exemplo, como a Monrovia (Libéria) e Kinshasa (República do Congo) notamos que não há mais uma dinâmica de ordem e controle; fora perdida. Penso eu que estamos indo em direção à novos tipos de conflitos – conflitos urbanos – e que nós realmente não tenhamos pensado ainda nas implicações deste.”

GUERRA POR ÁGUA

Não só a população humana explodiu nos últimos dois séculos, mas o consumo por pessoa de recursos – especialmente em nações industrializadas – têm crescido exponencialmente. Os cientistas pensam que a escassez de recursos causará uma escalada de conflitos neste século e vai alargar o fosso entre os ricos e os pobres – os que têm e os que não têm.

Nenhum recurso é mais precioso e vital que a água. Segundo o economista Jeffrey Sachs, diretor do Instituto Earth de Columbia, já existem partes do mundo que, por causa da rápida mudança climática, estão em um ponto de crise bastante grave. “Pense na região do chifre da África, por exemplo: a população da Somália aumentou cerca de cinco vezes em apenas um século. A precipitação, isto é, a ocorrência de chuvas, diminuiu 25% ao longo do último quarto de século. Há uma fome devastadora, uma escassez impiedosa à caminho, depois de vários anos de falta absoluta de chuvas – e ainda há o potencial de que esta região entre na rota das alterações climáticas de longo prazo ou mesmo definitivas.”

Conflitos sobre a escassez de água provavelmente se desdobrará com uma guerra de classes, diz Upmanu Lall, diretor do Centro Hídrico de Columbia (EUA). “A riqueza desigual, desproporcional, tende a crescer à medida que a população infla, e este é um ponto muito importante para se notar, pois o consumo per capita de recursos vem aumentando dramaticamente. Tal como nota-se a desigualdade de renda hoje, veremos a questão da desigualdade da disponibilidade de água. Reflita.”

Quando você soma tudo isso, obtém um resultado um tanto sombrio: quanto maior a população, menos água por pessoa. Enquanto isso, o abismo entre os ricos e os pobres se alarga, e os ricos demandam mais recursos para acomodar seus respectivos estilos de vida, chegando-se por conseguinte à beira do esgotamento. Inevitavelmente, eles comandarão a água e os quaisquer outros recursos dos pobres. Em toda vista, Lall conclui, isso nos levará a titânicos desafios futuros, e talvez o conflito de classes (pra variar).

No usina solar PS10 perto de Sevilha, Espanha, um campo de helióstatos concentra a luz solar em uma torre central.

No usina solar PS10 perto de Sevilha, Espanha, um campo de helióstatos concentra a luz solar em uma torre central.

ENERGIA FUTURA

Pelo que se sabe, não há energia suficiente a ser extraída a partir de fontes conhecidas de combustíveis fósseis para sustentar 10 bilhões de pessoas. Óbvio. Isto significa que os humanos serão forçados à alternarem-se para uma nova fonte de energia até o final deste século. No entanto, é um mistério qual será essa nova fonte.

“Energia é o recurso básico que subjaz todos os outros (que não a água),” diz Klaus Lackner, diretor do Centro Lenfest para Energias Renováveis. “E, na verdade, a tecnologia não está totalmente preparada para resolver o problema [energético]”. Sabemos que há muita energia solar disponível; energia nuclear, e por si só, de carbono também – isto é, combustíveis fósseis, – este, para provavelmente mais 100 à 200 anos”. Mas nenhuma dessas tecnologias estão completamente desenvolvidas, prontas. A Solar, por exemplo, têm seus problemas… E ainda é muito cara.”

Armazenamento de Carbono – uma tecnologia que impede que o dióxido de carbono e outros gases escapem para a atmosfera quando combustíveis fósseis são queimados – ainda está na prancheta, embora pareça possível, acrescentou. “E, por último, a energia nuclear: se estávamos apostando nisso, que apostemos agora com menos entusiasmo”, referindo-se ao desastre nuclear de Fukushima, um dos últimos grandes acidentes globais que assolou o Japão em 2011.

“Temos de imaginar quão colossal é o nosso consumo atual de energia. É algo quase infindável. Nós temos que usar a tecnologia, jogar com ela à nosso favor. Sou otimista: podemos desenvolver tecnologias que permitam que resolvamos este problema. Mas me pessimismo quando encaro as estruturais sociais que temos hoje, que dificultariam empregar, implementar essas novas tecnologias por puros egoísmos e interesses próprios.”

Elkhorn coral, uma espécie encontrada no Caribe, é altamente ameaçadas. Os cientistas aprendi recentemente que as fezes humanas, que se infiltra na Florida Keys e do Caribe de fossas sépticas com vazamento, transmite uma bactéria causadora da varíola branco mortal para o coral.

Coral Elkhorn, uma espécie encontrada no Caribe, altamente ameaçada de extinção. Os cientistas aprenderam recentemente que as fezes humanas, que se infiltra nos mares em Florida Keys e no Caribe transmite uma bactéria causadora da varíola, mortal para o coral.

Em suma, o futuro irá corresponder-se à duas visões da posteridade: ou uma forma nova, superior, na área de energia (tais como painéis solares altamente eficientes; e baratos) será generalizada, ou a tecnologia, ou sua própria implementação irá falhar, e a humanidade terá de enfrentar uma grande crise energética.

EXTINÇÕES EM MASSA […e a culpa é nossa]

Como os seres humanos se espalharam globo afora, deixamos pouco espaço e recursos para outras espécies. “Há boas evidências de que estamos na sexta extinção em massa de espécies da história do planeta, devido à incrível quantidade de produção primária que tomamos para manter 07 bilhões de nós,” disse Sachs.

Além da falta de terras e recursos para outras espécies, também já causamos mudanças muito rápidas no clima global, com a qual muitas delas não conseguem lidar. Alguns biólogos vão além, e acreditam que, com a atual taxa de extinção, 75% das espécies do planeta desaparecerão nos próximos 2 mil anos. Estes desaparecimentos já começaram, e eventos de extinção vão se tornar cada vez mais comuns ao longo do século.

Fontes: LiveScience, Life Little Mysteries

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Sobre o Autor

Gabriel Pietro têm 18 anos, é Web Designer e Redator do Acervo Ciência, escrevendo diariamente para o site. Já bancou uma de técnico de informática, e ainda banca de astrônomo amador, sua maior paixão. Atualmente gradua-se no curso de Gestão da Informação, na Universidade Federal de Uberlândia, que não sabe se é de exatas ou de humanas. Assim como ele. Também é aficionado por cinema, comics, política, economia, tretas e música indie. Bata tudo isso no liquidificador e tente entender sua cabeça.