Novas descobertas na caverna Liang Bua, hoje sítio arqueológico indonésio, está mudando a forma como olhamos para o primitivo e misterioso Homo floresiensis – conhecido como “hobbits”, por causa de sua baixa estatura.

Originalmente acreditávamos que os hobbits desapareceram cerca de 12.000 anos atrás, mas ao que parece eles podem ter sido extintos muito antes disso, cerca de 40.000 anos antes. Pesquisa publicada na revista Nature mostra que eles usaram a caverna entre 190.000 e 50.000 anos atrás.

A descoberta, realizada por uma equipe de pesquisadores e arqueólogos de vários países diferentes, coloca o desaparecimento do Homo floresiensis na mesma linha temporal dos humanos modernos (Homo sapiens) – os Homo floresiensis se espalharam por toda a Indonésia, chegando à Austrália.

Mas se essas duas espécies de hominídeos (primatas mais próximos dos humanos modernos do que os macacos) jamais se interagiram, poderia nossos antepassados serem responsabilizados pelo desaparecimento dos hobbits? Questões em aberto permanecem até que novas provas sejam encontradas, talvez evidenciando a possível influência dos ‘sapiens’ na extinção dessa espécie.

Atualmente, a mais antiga evidência da ocupação de seres humanos modernos na região de Flores (que origina o termo floresiensis) data de apenas 11.000 anos atrás.

A Descoberta

A descoberta original do Homo floresiensis foi feita em setembro de 2003, numa complicada escavação arqueológica na ilha indonésia.

Os restos do esqueleto desse hominídeo primitivo, com cérebro pequeno e diminuto foram encontrados enterrados seis metros abaixo do solo em Liang Bua, uma impressionante caverna de calcário no planalto ocidental da ilha.

Thomas Sutikna detém o crânio de LB1, o espécime do 'Hobbit', Homo floresiensis. Centro Indonésio Nacional de Arqueologia (ARKENAS) / Universidade de Wollongong. Imagem fornecida pelo autor.

Thomas Sutikna detém o crânio de LB1, o espécime do ‘Hobbit’, Homo floresiensis. Centro Indonésio Nacional de Arqueologia (ARKENAS) / Universidade de Wollongong. Imagem fornecida pelo autor.

Nos mesmos depósitos onde se encontravam os restos desta nova espécie, foram descobertos antigos artefatos de pedra e os restos de um elefante pigmeu (Stegodon), uma cegonha marabou gigante, um abutre e um dragão de komodo.

Amostras de carvão e sedimentos foram coletadas para radiocarbono e datação por luminescência. As estimativas de idade resultantes, de apenas 18.000 anos atrás para o espécime, denominado LB1 (o Hobbit para os íntimos) chocou a comunidade paleoantropológica à época.

Restos fragmentados de outros indivíduos foram encontrados em camadas do solo – cientistas estimaram que os corpos possuíam 12 mil anos de idade, ou menos.

Os pequenos hominídeos deixou-nos um presente: um intricado e abundante quebra-cabeças biológico-arqueológico. Eles tinham uma aparência mais semelhante à espécie humana que viveu na África e Ásia entre um e três milhões de anos atrás.

Tão logo, como e quando esta espécie (ou qualquer um de seus antepassados) chegaram a esta ilha remota? E como é que, aparentemente, conseguiram sobreviver na ilha das Flores por 40.000 anos mesmo após os primeiros ‘australianos’ passarem pelo arquipélago?

No resto do mundo, o primeiro contato de uma fauna nativa com os humanos modernos normalmente acaba mal para os animais endêmicas. Não foi assim, ao que parece, que aconteceu com os resistentes hobbits.

Além da Escavação

A revisão na idade da última aparição do Homo floresiensis é o culminar de mais oito anos de escavação cuidadosa e estudo dos depósitos rupestres de Liang Bua por muitos dos mesmos pesquisadores envolvidos na descoberta original.

As escavações arqueológicas de depósitos de Liang Bua.

As escavações arqueológicas de depósitos de Liang Bua.

A chave para o avanço foi o reconhecimento de uma grande ruptura no depósito de camadas sedimentares – uma “discordância estratigráfica” – logo acima de LB1 como resultado de um ou mais eventos de erosão no passado.

Como as escavações foram estendidos ano após ano, tornou-se bastante claro que todos os restos dos esqueletos do Homo floresiensis, e todas as ferramentas de pedra feitas pelos hobbits, vieram de um grande suporte remanescente do depósito que se acumulou entre 190.000 e 50.000 anos atrás.

Sabemos agora que a sequência estratigráfica em Liang Bua é muito mais complexa do que se pensava inicialmente. Assim, a equipe local está confiante que essa nossa nova interpretação da estratigrafia e cronologia da casa/moradia d’O Hobbit é a definitiva.

Através da escavação mais aprofundada dos depósitos de cavernas na década passada, adicionamos muitas novas peças no quebra-cabeça de como o sítio se formou. Isso resulta em uma imagem final bastante melhorada do que foi depositado na caverna, onde, quando e como.

Tem-se também utilizado uma gama de novas técnicas de datação, algumas das quais não estavam disponíveis em 2003. Como com a evolução técnica em outros campos da ciência, tais como DNA antigo, o tempo também tem se desenrolado ao passo de que melhorias aos métodos de geocronologia se desenvolveram.

Por exemplo, os ossos de LB1 e dois outros hobbits foram datados usando os métodos mais recentes da série de urânio, enquanto os sedimentos associados foram datados usando procedimentos de luminescência infravermelha estimulada que foram desenvolvidas apenas em 2011.

Estas e outras técnicas de datação por radiocarbono, incluindo, termoluminescência e argônio, proporcionam uma nova e mais robusta cronologia para Liang Bua e os hominídeos pré-históricos que usaram esta caverna no passado.

Qual o Próximo Passo para o Hobbit?

Há ainda muitos capítulos da história dos hobbits a serem escritos.

Quando os ancestrais do Homo floresiensis chegaram pela primeira vez na ilha das Flores e como eles se pareciam originalmente? Quando os hobbits foram extintos houve certo desempenho dos seres humanos modernos em sua queda?

Liang Bua ainda guarda muitos segredos, mas mesmo um único sítio pôde fornecer informações valiosíssimas do passado de uma espécie inteira em um curto período de pesquisas e escavações arqueológicas.

Assim, a busca agora é por mais sítios hobbits, abrangendo uma área geográfica mais ampla, tanto na região das Flores quanto no resto do arquipélago indonésio. Uma década a partir de agora, esperamos ter encontrado muitas outras peças deste quebra-cabeça pré-histórico na evolução humana.

Fontes: The Conversation, Nature, National Geographic, Australian Museum


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Sobre o Autor

Gabriel Pietro têm 18 anos, é Web Designer e Redator do Acervo Ciência, escrevendo diariamente para o site. Já bancou uma de técnico de informática, e ainda banca de astrônomo amador, sua maior paixão. Atualmente gradua-se no curso de Gestão da Informação, na Universidade Federal de Uberlândia, que não sabe se é de exatas ou de humanas. Assim como ele. Também é aficionado por cinema, comics, política, economia, tretas e música indie. Bata tudo isso no liquidificador e tente entender sua cabeça.