O nosso dia a dia pode parecer muitas vezes monótono e sem graça. Acordar, trabalhar, estudar, entre outros, essas atividades podem fazer com que não demos valor aos privilégios que possuímos em nosso tempo. Ficamos tão preocupados com nossos “grandes problemas” que esquecemos de onde viemos e como viemos parar aqui. Algumas pessoas não se interessam em compreender tal história, e ficam presas somente a esse período de tempo, numa, como eu chamo, “ignorância temporal. ” Mas essa história é muito mais interessante do que muitos pensam. É a história do nosso planeta, do nosso sistema solar, do nosso universo, e como que esses personagens cósmicos tão importantes e, ao mesmo tempo, tão ignorados por nós foram cruciais para a vida como conhecemos.

Sabemos hoje, devido um número considerável de evidências, que nosso universo começou com uma grande explosão, conhecida como Big Bang. Essa enorme explosão fez com que, em um trilhonésimo de segundo, o universo partiu de uma partícula menor do que um átomo para algo do tamanho do nosso sistema solar. E continuou expandindo. A partir do Big Bang, o tempo e espaço começaram a existir. Não sabemos o que havia antes desse evento, mas sabemos que todas as leis da natureza também tiveram seu início naquele exato momento. Imagine que todo o universo, com suas bilhões de galáxias, cada uma com centenas de bilhões de estrelas, comprimido em um único ponto, algo menor que um átomo. Foi assim que tudo o que vemos hoje na imensidão do cosmo se iniciou, 13,7 bilhões de anos atrás.

Centenas de milhões de anos se passaram, e certos processos começaram a acontecer no universo primitivo. Átomos começaram a tomar forma, com os elétrons orbitando ao redor do seu núcleo, os prótons. O universo primitivo possuía enormes nuvens hidrogênio, hélio e pequenas quantidades de lítio formados em decorrência do big bang. Foi nesse momento em que a gravidade começou a agir. “Quando a nuvem colapsa, conglomerados individuais de poeira densa e gás formam os chamados glóbulos de Bok. À medida que os glóbulos colapsam e a densidade aumenta, a energia potencial gravitacional é convertida em calor e a temperatura aumenta. Quando a nuvem protoestelar atinge aproximadamente a condição estável de equilíbrio hidrostático, uma protoestrela se forma no núcleo. A protoestrela continua a se contrair e sua temperatura interna aumentar, até que os gases em seu interior se tornam ionizados, uma mistura de núcleos atômicos positivos e elétrons. Quando a temperatura aumenta o suficiente em seu centro, inicia-se a fusão nuclear, que gera energia, contrapondo-se à contração gravitacional, tornando-se uma estrela da sequência principal. O tempo necessário desde o início do colapso da nuvem gravitacional até a entrada na sequência principal depende da massa da estrela.

Estima-se que o Sol levou trinta milhões de anos, enquanto estrelas com quinze massas solares levam somente 160 000 anos, mais rápida devido a sua maior força gravitacional.”[1] Essas estrelas agora começam a realizar o processo de fusão nuclear em seus núcleos, utilizando o hidrogênio ao seu redor para transforma-lo em hélio, carbono, oxigênio, nitrogênio e até chegar no ferro. Por que o processo empaca no elemento ferro? Para que aconteça a fusão nuclear entre esses elementos é preciso energia. Aqui está um problema. A estrela precisa de uma quantidade enorme de energia para contrabalancear com a sua própria gravidade, impedindo o seu colapso. Entretanto, a fusão de tal elemento requere energia, além de não propiciar a energia necessária para tal contrabalanceamento. Depois de manufaturarem todos esses elementos através da fusão de seus prótons, criando assim novos componentes químicos, essas estrelas — as mais massivas — finalmente, perdem a batalha contra a gravidade e o colapso, enfim, é inevitável. Elas então explodem, evento que chamamos de Supernova, espalhando suas enriquecidas substâncias pela galáxia. Quando uma estrela explode em uma Supernova, algo extremamente interessante e essencial acontece: altas temperaturas, densidades e pressões são atingidas, fazendo com que todos os demais elementos acima do ferro na tabela periódica sejam forjados. Esses elementos químicos resultantes das cinzas de estrelas mortas se condensam em nuvens de gases, as chamadas nebulosas, criando o fundamento para novas gerações de estrelas e abrindo espaço para a formação de sistemas solares com planetas orbitando tais estrelas. E é aí que nosso sistema solar entra em cena, pois foi dessa forma que ele “nasceu”, tornando possível o desenvolvimento da própria vida em nosso planeta. Podemos dizer que somos feitos de “poeira estelar”, pois os átomos presentes no nosso corpo um dia foram “fabricados” no interior do núcleo de uma estrela. Isso nos conecta ao universo, pois mesmo sabendo que estamos no universo, o universo também está dentro de nós.

A cerca de 4,6 bilhões de anos atrás, nosso sistema solar nasceu, com a formação do nosso sol. Juntamente com ele, também foram formados os planetas que orbitam ao redor da nossa estrela, ambos originados dos ingredientes expelidos quando ocorreu a supernova de estrelas e depois moldados pela força da gravidade. As rochas e outros elementos começaram a orbitar o sol, ao mesmo tempo que iam colidindo entre si. Essas colisões foram se intensificando e a força gravitacional gerada pelas suas massas iam aumentando, fazendo com que esses materiais se juntassem em um só “pedaço”.

Resumidamente, foi assim que os planetas foram formados. O Planeta Terra, a 4,5 bilhões de anos atrás, era uma bola de fogo e lava orbitando o sol. Vulcões expeliam lava do interior do planeta em formação, além de outros gases como metano, dióxido de carbono e vapor d’água, formando assim a atmosfera terrestre. O planeta, depois de milhões de anos, foi esfriando e a lava na superfície foi se solidificando, formando uma crosta que se estendia por todo o planeta. Milhões de anos se passaram e o vapor de água que vinha dos vulcões se condensaram e formaram nuvens na atmosfera primitiva do nosso planeta, e começou a chover sem parar. Essa chuva se seguiria por outros milhões de anos, formando o que chamamos de oceano primitivo. Cientistas especulam que além da chuva do próprio planeta, talvez a terra tenha recebido água de outros lugares. O recém-formado planeta era constantemente bombardeado por asteroides, e eles são formado por rochas, entre outro elemento, e também por gelo. Quando esses atingiam a terra, depositavam suas moléculas de H2O, ajudando a aumentar a quantidade de água por aqui. Foi assim que o planeta foi sendo abastecido de água, dando condições para o início da vida. Ah sim, não esquecendo da nossa “companheira”, a lua. A teoria científica mais aceita sobre a formação da lua presume que um enorme corpo celeste rochoso atingiu a terra com tanta ferocidade que deslocou uma parte de material terrestre para o espaço, fazendo com que esse entrasse em órbita em torno do nosso planeta. Está aí, nossa lua foi formada. Lembrando que esse processo não foi algo rápido. Muito pelo contrário. Calculasse que todos esses fenômenos tenham levado cerca de 800 milhões de anos para acontecer.

“A partir da solidificação da Terra e da formação do supercontinente, a Pangeia, a formação do oceano, nomeado Pantalassa, foi fundamental para o surgimento da vida no planeta, pois, segundo os cientistas, a origem da vida veio dos seres aquáticos.”[2] Como as evidências nos mostram, a vida no nosso planeta começou no oceano. De uma forma que nós não ainda sabemos, a cerca de 3,6 bilhões de anos atrás, moléculas começaram a se multiplicar, compartilhando seus “conteúdos” genéticos no interior do oceano primitivo. Logo, esses micro-organismos estavam utilizando a luz solar para produzirem energia através do processo da fotossíntese. O processo conhecido como vida estava começando. Então, é aqui que a evolução entra em cena e começa a moldar os seres vivos. Depois de bilhões de anos de mutações, adaptações e “tentativas, erros”, cada geração de micro-organismos foi obtendo certas características que as diferenciavam das demais e lhes proviam capacidades de continuar sobrevivendo. E esse processo continuou por bilhões de anos, formando todos os seres vivos que vemos hoje.

O Planeta Terra já viu muita coisa, sem dúvida. Desde a sua formação, com os bombardeios constantes de asteroides, com a formação da lua, o começo da vida e a sua evolução, depois a inúmera variedade de seres vivos — plantas, árvores, mamíferos, répteis — que já passaram por aqui. Desde os dinossauros, que governaram por centenas de milhões de anos, até a sua extinção. A terra viu a ascensão dos mamíferos, com a queda dos répteis de sangue frio, povoando todo o planeta. Viu também quando devido a mudanças no ambiente, alguns primatas foram obrigados a descerem de seus lares, as árvores, e sobreviverem em um novo e hostil ambiente cercado por predadores por todos os lados. Viu quando aprendemos a controlar o fogo e também quando aprendemos a manejar o processo plantio, deixando de sermos nômades e nos fixando em um lugar, revolucionamos o mundo com a agricultura, pecuária, cultura, linguagem, reinos, impérios, batalhas, guerras, religiões, independências, descobertas, e tudo o que o ser humano já realizou. Há algo de especial nesse planeta, mesmo sendo tão insignificantemente pequeno quando colocamos em perspectiva o tamanho de todo o universo. A terra é o único lugar, que conhecemos, a abrigar vida. É o nosso único lar. Pelo menos por enquanto. Quando você for tentado a se limitar aos seus problemas e aquela ignorância temporal bater, lembre-se de tudo o que já tivemos que passar como espécie, lembre tudo o que nosso planeta já passou, tudo o que foi necessário para que nós estivéssemos aqui, tendo a oportunidade de observar e compreender tudo isso.

Escrito por Weslley Victor.

Projeto Acervo Ciência

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Sobre o Autor

Gabriel Pietro têm 18 anos, é Web Designer e Redator do Acervo Ciência, escrevendo diariamente para o site. Já bancou uma de técnico de informática, e ainda banca de astrônomo amador, sua maior paixão. Atualmente gradua-se no curso de Gestão da Informação, na Universidade Federal de Uberlândia, que não sabe se é de exatas ou de humanas. Assim como ele. Também é aficionado por cinema, comics, política, economia, tretas e música indie. Bata tudo isso no liquidificador e tente entender sua cabeça.