A crença comum diz que, caso alguém caia em um buraco negro, pode desistir dos seus sonhos e se preparar para a morte. Ninguém nunca mais vai ouvir falar da pessoa. Mas Stephen Hawking não segue a crença comum.

“Se você cair em um buraco negro, não desista. Existe uma forma de sair de lá”, afirmou o físico em uma conferência, no Instituto Real de Tecnologia de Estocolmo.

Primeiro, é sempre bom lembrar, buracos negros nada mais são do que estrelas que entraram em colapso sob a própria gravidade e que produzem forças gravitacionais tão intensas que nem a luz consegue escapar.

Até aí tudo bem. Mas o que acontece com as informações que, por acaso, caem dentro destes monstros? Isso depende de qual lado da física você está. Segundo a mecânica quântica (que regula a física de objetos menores do que um átomo), essa informação não é destruída. Já a relatividade geral (que regula a física dos corpos gigantescos do espaço) diz que estas informações são destruídas, sim. É o que os físicos chamam de “paradoxo da informação”.

(Pausa para explicar a treta: essa briga entre as duas físicas — a mecânica quântica e a relatividade geral — é uma das maiores discussões científicas do último século. Muitos cientistas já tentaram encontrar uma forma de unificá-las, criando uma “teoria de tudo”, já que todo mundo acha bem estranho o fato de existirem duas leis diferentes que regulam o mesmo universo. Mas, apesar de serem perfeitas no papel, tentativas como a Teoria das Cordas são péssimas quando testadas em laboratório. Ou seja, ninguém sabe o que fazer direito e a briga continua)

Eis que Hawking surge com uma explicação: “Proponho que a informação seja armazenada não no interior do buraco negro como poderia se esperar, mas em sua fronteira, o horizonte de eventos”.

Se você assistiu ao filme Interestelar sabe que horizonte de eventos é a região ao redor do buraco negro da qual nada escapa. O que Hawking sugere é que as informações das partículas que ousam cruzar o caminho dos gigantes famintos seriam traduzidas em um tipo de holograma, uma espécie de descrição em 2D de objetos em 3D. E estas informações ficariam armazenadas no horizonte de eventos.

Beleza, mas a questão é: como essas informações escapariam de lá?

Em 1970, Hawking apresentou ao mundo o conceito de Radiação Hawking, que se acredita ser a emissão de partículas de luz (fótons) de buracos negros através de efeitos quânticos. No começo, o cientista dizia que essa radiação não carregava informações de dentro do buraco. Mas, como toda pessoa inteligente, Hawking reviu seus conceitos e não teve vergonha de mudar de ideia. Em 2004, ele afirmou que seria possível, sim, que a radiação carregasse estas informações.

Ninguém sabe direito como isso funcionaria, mas, de acordo com a nova proposição do físico, a radiação poderia carregar para fora uma parte das informações que estariam no horizonte de eventos.

Mas não se anime muito. Estas informações não seriam uma carta de Matthew McConaughey pedindo socorro. “As informações retornariam, mas de uma maneira caótica e inútil. Isso soluciona o paradoxo da informação. Para todos os propósitos práticos, a informação é perdida.”

Voltando um pouco no tempo, em 2016, Hawking criou comoção universal ao afirmar que “buracos negros não existem”. Mas não é bem assim. O que o físico propôs, na verdade, foi a substituição do horizonte de eventos por um horizonte aparente. A nova sugestão dialoga com essa ideia.

Uma das possibilidades é que as informações poderiam ser liberadas em universos paralelos, o que é perfeitamente possível de existir de acordo com algumas teorias da física. “A mensagem da aula é a de que buracos negros não são tão negros quanto parecem, eles não são essa prisão perpétua que todo mundo pensa. Coisas podem sair de lá para o nosso universo ou em outro paralelo.” Segundo o cientista, um estudo mais detalhado sobre o assunto será publicado em 2017.


Conheça o Projeto Quero Bolsa!


COMPARTILHE! 😉

Comentários

comentários

Sobre o Autor

Gabriel Pietro têm 18 anos, é Web Designer e Redator do Acervo Ciência, escrevendo diariamente para o site. Já bancou uma de técnico de informática, e ainda banca de astrônomo amador, sua maior paixão. Atualmente gradua-se no curso de Gestão da Informação, na Universidade Federal de Uberlândia, que não sabe se é de exatas ou de humanas. Assim como ele. Também é aficionado por cinema, comics, política, economia, tretas e música indie. Bata tudo isso no liquidificador e tente entender sua cabeça.