Muito já se foi questionado sobre quais são os blocos fundamentais da matéria no decorrer da história humana. Essa jornada se iniciou na Grécia antiga, com filósofos como Demócrito e Leucipo. Eles, e outros filósofos do pensamento atomista, trouxeram à tona um novo conceito sobre a natureza da realidade: se começarmos a dividir a matéria em pedaços menores, chegaremos a um componente que não pode ser dividido, e esse componente eles denominaram átomo. E o mundo, segundo eles, era formado por átomos e espaço vazio. Claro, na época, não se tinha nenhuma evidência concreta para a existência desses inusitados componentes da realidade. Tudo que se podia fazer era especular, uma vez que as ferramentas necessárias para a compreensão da natureza ainda não estavam disponíveis para o ser humano nesse período. Mas, se pararmos para pensar, tal jornada – que começou, justamente, na Grécia antiga – foi a fundação para o que chamamos hoje de ciência. E, com o passar do tempo nós começamos a desenvolver métodos e ferramentas para desvendar os mistérios do mundo físico, entendendo cada vez mais o seu funcionamento.

Demócrito foi discípulo e depois sucessor de Leucipo de Mileto. A fama de Demócrito decorre do fato de ele ter sido o maior expoente da teoria atômica ou do atomismo.

Muito tempo se passou desde os átomos dos gregos e os nossos. Diferente dos primeiros, hoje, conseguimos “provar” que eles realmente existem. E, além disso, descobrimos que eles não são tão indivisíveis quanto os atomistas pensavam. Sabemos hoje que os átomos são compostos por um núcleo, que contém prótons – partículas de carga elétrica positiva – e nêutrons – partículas que não possuem carga elétrica, como o nome sugere. Em volta do núcleo estão os elétrons, partículas muito menores que as citadas anteriormente e que possuem carga elétrica negativa. Mas, não para por aí: os prótons e os nêutrons são formados por componentes ainda menores, os quais são denominados quarks. E, só para deixar claro, eu coloquei a palavra “provar” entre aspas lá atrás por que nós nunca vimos um átomo e seus componentes com nossos próprios olhos. Nem um próton, nêutron ou elétron. Sabemos que eles estão lá através de mensurações e dados precisos sobre suas características, além de outras inúmeras evidências experimentais. E esse é o extraordinário poder da ciência: fazer com que enxerguemos muito mais que nossos olhos conseguem ver. Conseguimos, através desses métodos, ampliar o escopo de nossa compreensão, indo do incompreensivelmente gigante – galáxias e o próprio universo – até o indescritivelmente pequeno – átomos, elétrons e quarks.

Assim como todo os outros aspectos da realidade estudados por nós, seres humanos, os componentes atômicos são apenas modelos que criamos para explicar como esse atributo da natureza funciona. E esse modelo tem funcionado extraordinariamente bem para esse propósito. O fato de não conseguirmos enxergar os átomos com nossos próprios olhos não diminui nem um pouco a existência destes (é só lembrar do espectro eletromagnético como exemplo). A sociedade tecnológica em que vivemos hoje só se tornou possível através da compreensão de como os átomos funcionam e interagem no mundo do pequeno. Desde a eletricidade e a radioatividade até medicamentos e tratamento de doenças, sem tal modelo, nunca teríamos nem mesmo sonhado com as tecnologias criadas através dos átomos. Entretanto, sabemos que o nosso conhecimento, por mais eficaz e realista que pareça ser, pode não ser toda a imagem do quebra-cabeça da realidade. A história do pensamento humano é prova disso. Houve um tempo que pensávamos ser o centro do universo, que relâmpagos eram sinais da ira dos deuses e que os seres vivos eram imutáveis. No final, descobrimos respostas ao mesmo tempo mais simples e mais explicativas para tais eventos. Quem sabe, um dia, descobriremos que os átomos são apenas uma peça em um enorme e mais amplo quebra-cabeça e que o que conseguimos medir e interpretar como sendo um átomo, um próton, nêutron ou elétron é, de fato, apenas uma simples fagulha do que realmente existe ao nosso redor. A nossa imaginação nem se compara com o que a natureza é, realmente, capaz de fazer. Só é importante sabermos diferenciar hipóteses da realidade. Especular é saudável, mas só quando não perdemos de vista o objetivo principal: desvendar como a natureza funciona.

É sempre importante fazermos perguntas como “até onde podemos ir” e “qual o limite de nossa compreensão”. E, de fato, só existe uma forma de descobrirmos as respostas a essas perguntas. Devemos extrapolar ainda mais as fronteiras do nosso conhecimento. Aumentar ainda mais, como já disso o físico Marcelo Gleiser, a ilha do conhecimento humano. O oceano do desconhecido pode ser grande – até mesmo infinito. E sabemos que toda nova descoberta suscita novas perguntas. Porém, obter respostas a perguntas desafiantes faz parte de uma das nossas maiores qualidades como espécie: a curiosidade. Vamos ver até onde ela nos leva.

Escrito por Weslley Victor, garoto que enriquece o website Acervo Ciência com artigos e matérias de alto nível.


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Sobre o Autor

Gabriel Pietro têm 18 anos, é Web Designer e Redator do Acervo Ciência, escrevendo diariamente para o site. Já bancou uma de técnico de informática, e ainda banca de astrônomo amador, sua maior paixão. Atualmente gradua-se no curso de Gestão da Informação, na Universidade Federal de Uberlândia, que não sabe se é de exatas ou de humanas. Assim como ele. Também é aficionado por cinema, comics, política, economia, tretas e música indie. Bata tudo isso no liquidificador e tente entender sua cabeça.