De todos os lugares da Terra onde os cientistas esperariam encontrar vida, um lago caribenho de asfalto borbulhante provavelmente não estaria no topo da lista.

Mas, em um estudo recente da revista Science, pesquisadores concluíram que o petróleo não necessariamente sufoca a vida; micróbios foram encontrados vivendo em minúsculas gotículas de água no Pitch Lake (ou, literalmente, Lago de Piche), um depósito natural de asfalto localizada na ilha de Trinidad.

Esta descoberta ‘terrestre’ é, de fato, uma benção para pesquisadores e ‘caçadores’ de exoplanetas habitáveis em busca de vida alienígena, a incluir também àqueles com ambientes extremos, uma vez que se pensava que ambientes hostis como esse não poderiam suportar organismos vivos. Da redação, apresentamos alguns lugares em nosso próprio Sistema Solar que podem abrigar vida alienígena:

1. Titã (Saturno)

Lago de hidrocarbonetos em Titã.

A descoberta de vida no Lago Piche deve ter sido ainda mais emocionante para os pesquisadores que procuram sinais de vida em Titã, a maior lua de Saturno. Titã se assemelha à Terra de forma mais próxima do que qualquer outro corpo celeste do Sistema Solar, principalmente se comparado ao período primordial do nosso planeta. Só que ao invés de oceanos de água, esta lua frígida é o lar de vastos lagos de hidrocarbonetos.

Os autores do novo estudo, da revista Science, dizem que poderiam haver gotículas de água misturadas com amônia em quantidade palpável sobre os lagos oleosos de Titã, muito parecidas com as gotículas de água encontradas no Lago Piche. Um estudo mais aprofundado de como a vida pode sobreviver a água envolvida em petróleo “nos daria melhores ideias de como os organismos de Titã, se existirem, poderiam se adaptar e viver nos lagos de hidrocarbonetos,” diz o coautor do estudo, Dirk Schulze-Makuch, astrobiólogo da Universidade State Washington.

2. Marte

Paisagem árida (e quase depressiva) de Marte.

No final dos séculos XIX e início do século XX, o astrônomo Percival Lowell popularizou a ideia de que “canais” no Planeta Vermelho foram obra de marcianos inteligentes. Esses canais aparentes acabaram por se revelar uma ilusão espetacular. Imagens de missões das sondas Mariner e Viking, da NASA, décadas depois (anos 60 e 70) mostraram uma paisagem desolada, sem vestígios de civilização análoga à humanidade, na Terra.

Contudo, amostras de terra estudadas pelo rover Curiosity – que deve celebrar seu aniversário de quatro anos no Planeta Vermelho, – revelaram que Marte teria sido capaz de suportar vida microbiana alguns milhares de milhões de anos atrás, quando o planeta era muito mais quente e úmido do que é hoje.

3. Europa (Júpiter)

Intrigantes possibilidades nos aguardam em Europa, tais como seu oceano de água líquida.

Se a água é a chave para a vida como a conhecemos, então Europa têm tudo pra ser o candidato mais promissor na busca de organismos alienígenas. Pensa-se que esta pequena lua de Júpiter possa abrigar um enorme oceano de água líquida sob sua espessa crosta gelada. Nos últimos anos, os cientistas vêm descobrindo vida microbiana nos ambientes aquáticos mais extremos da Terra, o que sugere que formas de vidas estranhas poderiam existir em um lugar como Europa. Em 2012, uma expedição do cineasta James Cameron (Titanic, Avatar) rumo ao abismo mais profundo do oceano descobriu 68 novas espécies de bactérias. Em 2013, cientistas descobriram vida microbiana em um lago antártico enterrado sob um espesso manto de gelo que o manteve protegido de fatores externos.

Em 2015, a NASA angariou fundos suficientes para desenvolver uma sonda espacial de exploração à Europa, apelidada de Europa Clipper. Ela será capaz de fazer vários sobrevoos em torno do satélite, estudando, por exemplo, nuvens de vapor de água que vazam no polo sul de Europa. A NASA também convocou a comunidade científica, engenheiros, pesquisadores, aficionados para juntarem esforços para o desenvolvimento de instrumentos científicos que possam detectar sinais de vida em uma missão futura à pequena lua.

4. Encélado (Saturno)

A excêntrica e pequena lua saturniana Encélado.

Como Europa, a lua Encélado, de Saturno, possui um formidável escudo congelado que cobre um enorme e profundo oceano de água líquida. Alguns cientistas acreditam serem capazes de estudar a água escondida de Encélado sem a necessidade de perfurar sua crosta, que chega a 40km de espessura. A sonda Cassini, da NASA, detectou 101 gêiseres de vapor de água e gelo em erupções a partir de fraturas próximas ao polo sul. Se essas plumas advierem do oceano oculto, futuras naves espaciais poderiam sobrevoar sobre esses gêiseres e estudar a composição do oceano, até colher amostras, sem a real necessidade de pousar na superfície, muito menos adentrar (e contaminar) o oceano.

Fonte: LiveScience


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Sobre o Autor

Gabriel Pietro têm 18 anos, é Web Designer e Redator do Acervo Ciência, escrevendo diariamente para o site. Já bancou uma de técnico de informática, e ainda banca de astrônomo amador, sua maior paixão. Atualmente gradua-se no curso de Gestão da Informação, na Universidade Federal de Uberlândia, que não sabe se é de exatas ou de humanas. Assim como ele. Também é aficionado por cinema, comics, política, economia, tretas e música indie. Bata tudo isso no liquidificador e tente entender sua cabeça.